O tênis tem “prazo de validade” e não é o que você vê

O tênis tem “prazo de validade” e não é o que você vê

Por Milena Campos em 22/01/2026

Ele ainda está bonito. O solado parece inteiro. Nenhum rasgo, nenhuma cola soltando. Mesmo assim o seu tênis de corrida pode já ter vencido.

Sim, tênis de corrida têm prazo de validade e ele não está estampado na caixa, nem é fácil de enxergar a olho nu. O grande vilão mora por dentro: a espuma da entressola, responsável pelo amortecimento, simplesmente “vence” com o tempo e o uso.

O amortecimento acaba antes da aparência

Quando você corre, cada passada gera um impacto várias vezes maior que o peso do seu corpo. Quem absorve boa parte disso é a entressola, aquela camada de espuma entre o pé e o chão.

O problema? Essa espuma não é eterna.

Mesmo que o tênis continue bonito por fora, a espuma interna vai se compactando, perdendo elasticidade e capacidade de absorver impacto.

O impacto que antes era amortecido começa a ir direto para joelhos, canelas e tornozelos.

Quanto tempo dura um tênis? 

Em média, um tênis de corrida dura entre 500km e 800km. Em termos de tempo, isso costuma representar algo entre 6 a 9 meses de uso frequente.

Por isso, muitos corredores mais experientes fazem algo curioso: anotam a quilometragem do tênis, seja no relógio, no aplicativo ou até numa planilha. Quando o número chega perto do limite, já sabem que está na hora de pensar na aposentadoria.

“Mas o meu ainda parece novo…”

Esse é o erro mais comum. O tênis não avisa visualmente que venceu. Ele avisa no corpo.

Alguns sinais clássicos de que a validade acabou são:

  • Perda de amortecimento: você sente mais impacto a cada passada;
  • Desgaste da sola: áreas lisas ou irregulares, afetando a estabilidade;
  • Dores novas: pés, joelhos ou tornozelos começam a reclamar sem aumento de treino;
  • Espuma “assentada”: o tênis perde conforto e retorno de energia;
  • Estrutura falhando: fios soltos, cola degradada ou sensação de instabilidade

Se o corpo começou a reclamar e o treino é o mesmo, o problema pode não ser você, pode ser o tênis.

Por que alguns tênis duram menos que outros?

A vida útil varia bastante e depende de alguns fatores:

  • Peso do corredor: quanto maior o peso, maior a carga sobre a entressola;
  • Tipo de pisada: pisadas muito pronadas ou supinadas desgastam o tênis de forma desigual;
  • Terreno: asfalto abrasivo consome mais rápido que superfícies mais macias;
  • Rotação de tênis: alternar entre 2 ou 3 pares ajuda a “descansar” a espuma e prolonga a durabilidade

No fim das contas…

Pense no tênis como um aliado silencioso. Ele trabalha duro a cada quilômetro para proteger o seu corpo até o dia em que não consegue mais.

A regra é simples, use a quilometragem como referência, mas confie principalmente nos sinais do seu corpo.

Quando o conforto acaba, a validade venceu, mesmo que o tênis ainda pareça novo.

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Até logo!